← Voltar aos conteúdosTreino e recuperação

O que comer depois do treino para melhorar a recuperação?

A refeição pós-treino pode fornecer proteínas para a recuperação muscular, carboidratos para repor energia e líquidos para a hidratação. Mas ela não precisa acontecer com o cronômetro ligado.

Por Thales Rosa · Nutricionista esportivo
Refeição com frango grelhado, arroz e salada
Foto: Joe Boshra/Unsplash

Durante muito tempo, popularizou-se a ideia de uma “janela anabólica” de 30 minutos: se a pessoa não tomasse um shake imediatamente, perderia o treino. A recuperação não funciona dessa forma. O corpo permanece sensível aos nutrientes por várias horas, e o que foi consumido antes do exercício também influencia a urgência da refeição seguinte.

Existe uma janela anabólica de 30 minutos?

O exercício aumenta a síntese de proteínas musculares, e consumir proteína nas horas próximas ao treino contribui para esse processo. Porém, a janela é mais ampla do que se imaginava.

Uma meta-análise observou que a quantidade total de proteína consumida ao longo do dia explica boa parte dos resultados atribuídos ao horário.[1] Se você fez uma refeição com proteína uma ou duas horas antes do treino, não precisa terminar a última série já preparando o shake.

Por outro lado, quem treinou cedo em jejum ou passou muitas horas sem comer tem mais motivo para fazer uma refeição logo depois. O contexto importa mais do que uma regra fixa.

Proteína: quanto colocar no pós-treino?

Para muitos adultos, uma refeição com 20 a 40 gramas de proteína de boa qualidade é uma referência útil. Outra forma de estimar é cerca de 0,25 grama por quilo de peso em uma refeição.[2]

Esse valor pode vir de alimentos, suplementos ou da combinação entre eles. Frango, carne, peixe, ovos, leite, iogurte, queijo, tofu, soja e leguminosas são possibilidades. Whey protein é conveniente, mas não obrigatório.

A soma do dia e a distribuição entre as refeições são mais importantes do que transformar o pós-treino na única refeição com muita proteína.

Carboidrato depois do treino é necessário?

Carboidratos ajudam a repor o glicogênio, a forma como o organismo armazena esse nutriente nos músculos e no fígado. A urgência depende do esforço e do tempo até o próximo treino.

Para quem faz uma sessão de musculação e só treinará novamente no dia seguinte, uma alimentação normal com arroz, pão, batata, frutas, aveia ou outras fontes costuma ser suficiente. Não é obrigatório usar maltodextrina ou consumir açúcar imediatamente.

Para atletas que realizam sessões longas, provas ou dois treinos no mesmo dia, a reposição rápida ganha mais importância. Nesses casos, quantidade, horário e tolerância precisam ser planejados.[3]

Gordura e fibras atrapalham a recuperação?

Não precisam ser retiradas da refeição. Gorduras e fibras podem tornar a digestão mais lenta, mas isso raramente é um problema quando não há outro treino próximo.

Uma refeição com arroz, feijão, carne e salada funciona como pós-treino, assim como um sanduíche com proteína ou iogurte com fruta e aveia. O objetivo não é montar uma refeição que seja digerida na maior velocidade possível, e sim atender às necessidades do restante do dia.

Exemplos de refeições pós-treino

As quantidades mudam conforme peso, objetivo, fome e gasto do treino. Quem busca emagrecimento não precisa retirar carboidratos; precisa ajustar a refeição ao total planejado. Quem busca ganho de massa pode precisar de porções maiores e de mais energia ao longo do dia.

E se eu não tiver fome depois de treinar?

Treinos intensos podem reduzir temporariamente o apetite em algumas pessoas. Uma opção líquida ou menor, como leite ou iogurte com fruta, pode ser mais confortável. A refeição completa pode entrar um pouco mais tarde.

Não é necessário forçar um prato grande imediatamente, mas também não convém passar várias horas sem comer quando isso prejudica a ingestão do dia, a recuperação ou aumenta muito a fome à noite.

Hidratação também faz parte do pós-treino

Água costuma ser suficiente depois de sessões curtas em condições amenas. Exercícios longos, muito suor, calor ou duas sessões próximas podem exigir reposição mais cuidadosa de líquidos e sódio.

A cor da urina, a sede, a mudança de peso durante o exercício e a taxa de suor ajudam a individualizar a estratégia. Beber água em excesso também não é desejável.

A melhor refeição pós-treino não é necessariamente um shake. É a combinação que ajuda você a atingir proteína, energia e hidratação do dia sem causar desconforto e sem complicar a rotina.

Se o treino termina perto do almoço ou jantar, essa própria refeição pode cumprir o papel de pós-treino. Se termina no meio da tarde e o jantar ainda vai demorar, um lanche organizado pode evitar que você chegue à noite com fome excessiva.

Thales Rosa

Nutricionista esportivo (CRN 8 18115) e profissional de Educação Física (CREF 019714). Atendimento em Curitiba e on-line.

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Referências

  1. Schoenfeld BJ, Aragon AA, Krieger JW. The effect of protein timing on muscle strength and hypertrophy: a meta-analysis. Journal of the International Society of Sports Nutrition. 2013. DOI: 10.1186/1550-2783-10-53.
  2. Jäger R et al. International Society of Sports Nutrition Position Stand: protein and exercise. Journal of the International Society of Sports Nutrition. 2017. DOI: 10.1186/s12970-017-0177-8.
  3. Kerksick CM et al. International Society of Sports Nutrition position stand: nutrient timing. Journal of the International Society of Sports Nutrition. 2017. DOI: 10.1186/s12970-017-0189-4.
  4. Zhou HH et al. Effects of timing and types of protein supplementation on improving muscle mass, strength, and physical performance. International Journal of Sport Nutrition and Exercise Metabolism. 2024. DOI: 10.1123/ijsnem.2023-0118.